As férias

Parque Natural do Iona e Foz do Rio Cunene

Um golpe de sorte

Queríamos, eu e a Marta visitar o Parque Natural do Iona. Parecia algo complicado de conseguir começando pela falta de informação. Não existe fisicamente nenhum sítio onde nos possamos dirigir. Amigos disseram-nos para ir à Administração Central. Aí  mandaram-nos falar com o Senhor Caíto, um membro da Administração. Difícil localizá-lo. Por fim, a sua mulher deu-nos o teu número de telemóvel. O Senhor Caíto manda-nos falar com o Ramos da Rádio. Tocou-nos uma especié de lotaría!! Justamente na semana seguinte era o aniversário de José Eduardo dos Santos, o presidente da Republica de Angola e para celebrá-lo, a Administração organizava um Raid turístico ao Parque. O preço eram 60 dólares e só tínhamos que preocupar-nos em levar sacos cama e objectos de higiene pessoal. Identificámo-nos como fotógrafa e escritora e prometemos fazer uma boa publicidade ao Parque em Espanha. O preço ficou então reduzido à metade.

Saímos uma sexta feira às 7 da manhã numa  caravana de 15 carros, 60 pessoas, ascoltados pela policia e liderados por João Guerra, o presidente da Administração de Tombwa. Esperavam-nos 10 horas de viagem até à Comuna do Iona, passando pelo Curoca, Mbú, Pediva e Espinheiras.

Muita paisagem poucos animais

Diz-se que antes da guerra, o Parque tinha zebras, girafas, elefantes, gazelas, orix, avestruzes, cabeças de martelo y muitos outros animais. Com a guerra, a maioria foram devastados. Íamos com a ilusão de ver muitos animais mas tivemos que contentarnos com as gazelas e algumas avestruzes. Numa outra viagem que fiz posteriormente à Foz do Cunene, passando pelas Espinheiras, fui contemplada com uma manada de ónix. Uma super emoção. Correndo com o carro numa direcção e outro carro em outra direcção, obrigámos os animais a correr lateralmente a nós, enquanto eu disparava algumas fotografías.

Aparte disto, a paisagem ía mudando de sabor a cada novo km de estrada. Às 13 horas já estávamos a entrar no Parque e as temperaturas alteraram-se como se de outra estação se tratasse. Verão. O primeiro sítio marcante por onde passámos foi as “facas” pelos curiosos e impressionantes afloramentos de rochas. Como as camadas de rochas estão orientadas na vertical, com a acção dos agentes erosivos, cada bocadinho de montanha adquire uma aparência de faca muito bem. Pela sua cor castanha e acinzentada e a forma tão peculiar, os angolanos costumam dizer aos turistas que o que estão a ver é Madeira. Muitos acreditam e depois vêm as gargalhadas. Aqui, para além de Cactus, apenas existem arbustos secos e rasteiros. O deserto inóspito.

Depois, seguem-se horas de caminhos pelas imensas planicíes, onde vão desfilando gazelas. Paramos o carro. Páram também e seduzem-me. Descço do carro e, muito lentamente, tento aproximar-me para lhes tirar uma fotografía. Não sou suficientemente súbtil e antes que tenha 20 metros de distância delas, já saem correndo em direcção às montanhas em tons azulados que se apreciam tão distantes no horizonte.

É-me difícil fotografar a vida animal viajando numa caravana, com hora marcada para chegar ao destino. Prometo a mim mesma que tenho que voltar a este local, com a calma e o tempo necessários. A paisagem ía ganhando novos encantos com o entardecer e vou aproveitando as Welwitchias Mirábilis como protagonistas das minhas imagens do Parque.

Os Muimbas

No final do dia chegamos à Comuna do Iona. Aqui só existe o absolutamente indispensável. Una escola, um posto medico, uma meia dezena de casas para professores e medicos e um pequeno depósito de água. Trata-se de uma area com uma acessibilidade complicadíssima. Demorámos todo o dia para fazer aproximadamente 200 km. Não há rede de telemóvel e as comunicações muito importantes fazem-se por telefone satélite. Não existem nenhuns bem de consumo e o pouquíssimo que há, vale muito dinheiro. Vinham pedir-nos cigarros. “Aquí aparece pouco” diziam-nos. Cultivam tabaco e utilizam um osso de galinha para fumá-lo. Uma boa parte dos residentes nesta região pertence à tribo dos Muimbas.

Durante a nossa estadia no Iona, sucedeu um óbito numa comunidade que vivia aí perto. O João Guerra foi cumprimentar a família e convidou-nos a mim e à Marta para acompanhá-lo. Ainda que a visita tenho ocurrido por um motivo de morte, isso foi o ultimo a notar-se. Estavam todos encantados de nos receber e nós de ter a oportunidade de ver como são e como vivem.

Instalam-se no meio do mato, em cabanas feitas de paus de Madeira e barro. As mulheres andam nuas da cintura para cima e cobrem todo os corpo com uma espécie de barro misturado com manteiga de vaca. Cobrem a zona púbica com peles de animais. Usam muitos objectos decorativos em todo o corpo. Colares de missangas misturados com barro, pulseiras metálicas muito grossas nos braços e nas pernas. Cada um destes objectos tem a sua simbologia. Se são casadas ou não, se são mães ou não, se os pais ainda estaão vivos ou não. Muito bonito de se ver. Por uma questão de identitade, de sentido de pentença à tribo, todos arrancam os 4 dentes debaixo, da frente. Os dois frontais de cima, limam-nos em forma de triangulo. Que horrível e doloroso será!! Mas para eles este é também um código de beleza.

Os Muimbas são uma tribo muito tranquila. As raparigas muito jovens já carregam  os filhos nas costas, também cobertos de barro e meio nus. Tratam-nos com muitíssimo carinho. Pareceu-se ser a sua única tarefa. Cuidar dos filhos. Bem diferente da gente da cidade, que têm dezenas de filhos e são os irmãos que se ajudam a criar entre eles. As mães têm tanto que fazer que não lhes sobra tempo para afectos e gestos de carinho. Se a criança cai ao chão e chora a mãe limita-se a gritar-lhe para que se cale!

A comunicação com os Muimbas foi algo impossível. Não há palavra, não há gesto, não há olhar que se acabe de entender, de nenhuma das partes. Os códigos de linguagem são outros. Eles falavam-nos como se entendessemos os seus dialectos. Ficávamos a olhar para eles sem saber como reagir. Fazíamos sinais na esperança de passar algum tipo de menssagem, mas não. Nunca me foi tão impossível comunicar como aqui.

A Foz do Rio Cunene

Numa outra expedição pelo Parque, com novos amigos angolanos, o destino final foi a Foz do Rio Cunene. Aqui marca-se o limite fronteiriço com a vizinha Namíbia.

São aproximadamente 10 horas de viagem e é impressionante que não há absolutamente nada! Assim é Angola! Um país gigante com km e km de estrada com paisagens únicas e intocadas pelo Homem. Por ser uma fronteira, o meu imaginário dizia-me que o rio era muito grande… enganei-me. É muito pequeno e pode-se atravessar com a água pelos joelhos. Mas não o fazemos. Motivos? Muitos!!

1-        Ameaça de crocodilos e hipopótamos. Não chegámos a mas diz-se que estão aí e náo são poucos…

2-        Dunas altíssimas. Em Angola a paisagem é desértica, árida, de rochas y areias. Do lado da Namíbia, as dunas são impressionantes e começam imediatamente a partir do rio. São como um muro intransponível, suicídio para alguém que por aí se aventure.

3-        Vento frio. Tivémos pouca sorte. Havía muito muito vento.  É uma área de costa desabrigada. Os ventos são ferozes e transportam areia das dunas no ar. Era-nos impossivel estar na rua a partir das 10 da manhã até às 18.30h.

Íamos acampar na praia. Pelas condições climatéricas tão desfavoráveis, acabámos por montar as tendas numa casa abandonada a uns 8 km da praia, em frente ao rio. Foram 4 días sempre iguais. Acordar sobre as 6 da manhã, assistir ao nascer do sol detrás das dunas namibianas sobre o rio. Desfrutar da tranquilidade  e da sensação de ter chegado ao fim de Angola. É curioso que as fronteiras sempre nos ofereçam um sentimento de missão cumprida, de meta e de fascinio pelos 2 lados. Depois das 10 da manhã começava o vento e o frio. Refugiávamo-nos na nossa casa com vista ao rio e aí ficávamos a falar, a rir e a comer e beber muuuuito!

Creio que estes meus amigos são um bom retrato do angolano de classe média. São muito alegres e gostam de aproveitar os prazeres da vida mais básicos e naturais: comer, beber, rir, viajar, pescar, acampar, o contacto con a natureza. Falando de outras acampadas que já fizeram, todo o pó que comeram pelos caminhos, os dias inteiros viajando sempre dizem: “a nossa vida é isto!”

Em geral, em Angola, ainda não há uma sociedade de consumo muito marcada. Os bens são escassos e muito caros. Para ocupar os tempos livres, as pessoas viajam, acampam, pescam, caçam e deslocam-se muito longe. As escalas aqui são diferentes. Sair do Namibe ao Lubango é uma viagem curtinha. São só 200 km.

A maior Welwitchia do mundo e o Morro do Soba


Indo para o Iona não se podem ignorar no caminho, ainda bem próximo do Curoca, o Morro do Soba e a maior Welwitchia do mundo. Um ritual.

Diz-se que num determinado ponto do deserto morreu um Soba que por aí passava em viagem. Soba é a denominação que se dá ao homem mais velho de cada comunidade rural e por isso ganha o estatuto de chefe da mesma. É alguém muito respeitado por todos e se há um conflito familiar o social, ele tem a obrigação de o solucionar.

Em homenagem a este Soba, todo o que passé por este local, deverá atirar uma pedra. Está-se formando uma pirâmide de pedras cada vez maior.

A um par de km do Morro do Soba, está a Welwitchia  conhecida como a maior do mundo. A planta gigante por acumulação. Em cima de umas vão nascendo outras e no total, está já conta com quase um metro de altura.

Kuvango

Outro passeio com a família do senhor Victor foi até ao Kuvango. O pretexto? Um encontro de pesca de rio e tiro aos pratos. 600 km até ao destino final e um terço do caminho por mato. Deixámos o Namibe às 7 da manhã e chegámos às 8 da noite. O segrego de fazer viagens assim? Ir sem pressa, levar uma geleira bem recheada de comidas e especialmente bebidas, muita música e principalmente energia positiva!

Uma nova Angola diante dos meus olhos. Chegando à barragem da Matala pude sentir uma Angola tropical. O ar húmido, quente, muita vegetação e o rio bem amplo, ainda que um pouco baixo de nível das águas. Recordei as minhas viagens à Tailândia e senti uma nostalgia pelo continente asiático.

Na Matala acaba a Estrada e começa o caminho pelo mato bem verdinho. Acabam-se as casas do tempo colonial e as cidades. De aí em diante e até ao Kuvango, durante 5 horas de caminho só há Kimbos. Casas de paus de Madeira e tectos de palha. Outra vez me pergunto: como sería Angola se não fosse uma história de colonialo\ismo…

O fim de semana foi fantástico. Havia gente de muitos pontos do país: Namibe, lubango, Kuvango, Huambo, Benguela, …

Montámos as tendas em frente ao rio e improvisámos uma cozinha debaixo de um django (umas estructuras de 4 paus de madeira que suportam um tecto de palha em forma de círculo). Aí passámos horas e horas, protegidos do tórrido sol.

A rotina era sempre a mesma. Acordar mais ou menos às 6 da manhã. Tomar banho no rio. Havia a zona de rapazes e a de raparigas. Como fotógrafa e amante da natureza, estas são cenas que me enchem de emoção. Algo assim muito bucólico. O homem de corpo perfeito, nu, sem complexos banhando-se no rio. Uma espécie de balneário natural. Como é possível estar de mal com a vida desta maneira? Que melhor amanhecer?

Eu, com os meus complexos de europeia não acabei de me integrar nesta actividade. Os meus companheiros de acampada, como o fazem com muita frequencia e o assumem como estilo de vida, têm umas condições excepcionais. Uma delas, é um sistema de duche que se monta com umas lonas e utilizando a bateria do carro, até o chuveiro tem pressão como se em casa estivéssemos. Assim tomei os meus duches, no cubículo, bem protegida dos olhares alheios.

Depois, cada um vai aos seus afazeres. Uns pescam, atiram aos pratos, outros cozinham e outros, como eu, dão intermináveis passeios junto ao rio. Existem ainda os que ficam o dia inteiro a “matar” cervejas todo o dia.

O meio dia é a hora de maior calor. Tanto que, depois de comer, a única opção que me parece viável é meter-me na tenda montada à sombra e dormitar. Acordo e volto ao rio. Os jovens já aí estão de novo. Abandono os meus prejuizos de branca e misturo-me com eles. Começamos a conversar e ao fim de meia hora já tenho novos amigos de fim de semana.

Os crocodilos são uma ameaça constante mas os locais garantem-nos que nos ultimo’s dias não viram nenhum e que estarão longe do nosso ponto de encontro. Entro na água e partilho a natureza com eles.

Ao fim da tarde, levo a máquina fotográfica e o meus amigos ficam ainda mais meus amigos. Adoram uma foto! Vou-lhes tirando fotografias e assim vai baixando o sol.

O jantar. Cada um volta ao seu django. Na primeira e segunda noites estou tão cansada que às 10 da noite já vou num sono profundo. Na Terceira e última noite, juntei-me à festa dos meus novos amigos. Acabei dançando kizomba, taraxinha e kuduro até não sei que hora.

Benguela – Lobito – Luanda – Namibe

De mochila feita e geleira bem recheada, partimos eu e Augusto para um fim de semana prolongado pelo mundo urbano de Angola. A primeira paragem seria em Benguela, a 600 km do Namibe. A boa notícia é que só teríamos 70 km de terra. O resto era tudo de estrada alfaltada. 7 horas de viagem. Apaixomei-me por Benguela. Os passeios e jardins muito bem arranjados, os edificios restaurados, as ruas à noite bem iluminadas e claro, o mar abraçando a cidade. O calor e o sol brilhante convidavam-nos a desfrutar das esplanadas e a tomar bebidas frias.

Observando Benguela tão grande, desenvolvida e bonita, pus-me a pensar por primeira vez como terão sofrido os portugueses com a independência de Angola. Todo um país, todas as infra-estruturas, a imagem a identidade, absolutamente tudo 100% português. Que cruel a história da colonização e da descolonização. Para todos. Portugueses y angolanos. Imagino o dia em que se declarou a idependência. Todos os portugueses a fugir, deixando para trás as suas vidas, as suas casas, as suas memorias, os seus trabalhos, os seus amigos. Agora entendo porque me dizem que os Portugueses sempre choram quando se toca no assunto. Mas de que outra maneira se podería ter feito? Que cruel a história…

Que bonita a cidade de Benguela. Passeámos pelas ruas, fotografámos os palácios do governo e as igrejas e ao fim da tarde procurámos uma praia para fazer um piknik. Aqui vem a parte triste deste conto… a sujidade. Dói vê-lo. Não há um mínimo de sensibilidade para as temáticas da preservação do meio ambiente. Saímos da cidade pensando que uma praia mais distante estaria mais limpa. Mas não. Todo o tipo de lixo, especialmente lata e garrafas de bebidas. Escolhemos o nosso metro quadrado menos mal e tentámos abstrair-nos do entorno para concentrar-nos no mar, no horizonte e na arriba ao fundo desenhando uma baía.

À noite, mais esplanadas, mais bebidas e dormir na “Pensão Contente”. Com umas condições muito básicas, custou-nos 125 dólares uma noite. Pernoitar fora de casa em Angola é um caso sério.

No dia seguinte, conhecemos o Lobito, a 25 km de Benguela para Norte. Os angolanos têm uma preferência bem marcada pelo Lobito em relação a Benguela. Não me ponho muito de acordo. São belezas diferentes. O Lobito tem uma grande beleza natural. Ergue-se sobre uma espécie de peninsula e aí reside toda a mística. A água tem esse poder. Onde está, produz encanto.

Uma das areas que visitámos podemos ver o mar tanto à nossa esquerda como à direita. De um lado está a praia e do outro, o Porto. Por aí encontrámos angolanos, brasileiros e chineses a pescar com linha e anzol. Era domingo. Os estrangeiros não trabalhavam e como dizia o Augusto, em Angola, um homem acaba sendo pescador à força.

Mais um mítico piknik na praia. Esta menos suja. Sandes de atum com queijo, tomate, azeite e oregãos e sumo de goyaba a

acompanhar. 18 h, o pôr do sol e deixamos o Lobito para trás. Aparte desta beleza natural tão rica, a cidade é muito industrial. A presença do Porto é muito forte. Os edifícios muito grandes e cinzentos, as ruas estão ainda muito desordenadas e dão-lhe um ar muito caótico e a certeza que que ainda está tudo por fazer. Mas a impressão final é muito boa. Uma cidade Africana muito grande, em expanção, com forte dinâmica económica.

Às 18.30h já é noite cerrada e começamos a subir a montanha que nos leva em direcção à estrada de Luanda. Uma escuridão que só conheço em África. Pinga um pouco, circulam muitos camiões na estrada estreita e as curvas não nos permitem ir a mais que 60 ou 80 km/h. Temos 500 km pela frente.

No caminho, entre as kizombas do momento e bolachinhas e outras coisas, vamos tentando adivinhar como será a paisagem que estamos a atravessar. Estamos a percorrer a costa Angolana e o único que podemos ver são carros capotados. Uns de há anos atrás, outros de há dias ou horas. É muito assustados. Perguntávamo-nos se encontramos um acidente pelo caminho que fazer? Paramos para ajudar? Mas que tipo de ajuda podemos dar? Ligar para a ambulância? Parece-me que nem rede há no caminho… apanhar os feridos e levá-los no nosso carro até Luanda? Muito arriscado. Nem se deve tocar nos feridos. Não parar e provavelmente deixar morrer alguém que se poderia salvar? A verdade é que tenho pavor a viver uma situação desta natureza… o sangue dá-me pânico. Por sorte não aconteceu nada. Mas dá muito medo. A morte está presente em cada km nas estradas angolanas. Quando há acidentes ninguém tira as carcassas das bermas. Ficam aí, dando maus presságios a quem passa.

Não vimos nada de Luanda. Só queríamos fazer a costa para apreciar as paisagens. Entrámos pelo Sul da cidade é aí ficámos. Se na minha primeira vez em Luanda só vi desgraça, pobreza, caos e montanhas de lixo, agora  vi a riqueza. Ficámos a dormir num condomínio privado. Não record over tanto luxo junto. Una casa con piscina, jakuzzi, jardim, e os objetos de decoração da casa todos de design minimalista.

A paisagem da cidade por fim deixou-me com a impressão que Luanda tem muitíssima beleza natural e podería ser um paraíso urbano como poucos na terra. Com o mar que vai entrando pela terra, formam-se verdadeiros golfos, ilhotas tropicais e lindas praias. À volta de tudo isto, estão pequenas montanhas com muitos embondeiros, a árvore por excelência mais imponente de Angola.Despertou-se-me a vontade de conhecer Luanda a fundo. No futuro.

Já é 2ª feira e temos que começar a descer de novo para Sul. Agora sim, podemos apreciar os cenários Angolanos. Não sei porque, imaginava que veria uma Angola tropical, verdita, bem oposto ao que tenho no Namibe. Mas não. Claro que não! Estou em África! Sempre dominam mais os tons da terra, a pouca vegetação e os horizontes infinitos em todas as direcções. O verde só se apresenta nas zonas de rios. Passamos pelo rio Kuanza, que de forma muito justa e legítima, dá nome à moeda nacional. É belíssimo.

As estradas? Quase sempre uma recta a perder de vista. Entre Luanda e o Lobito, numa extensão de 500 km, apenas estão o Sumbe e Porto Amboim como cidades.

Descemos até Benguela. Fazemos um pouco de praia na Baía Azul, un paraíso mais com algum lixo na areia, a uns 15 km para Sul de Benguela. Com tristeza e pouca vontade, iniciámos o regresso a casa.

Lubango e algumas das suas atracções turísticas

O Cristo Rei ao entardecer

Nas Mangueiras. Trata-se de uma espécie de estação de serviço para quem viaja entre o Lubango e o Namibe. Faz-se uma paragem obrigatória neste local, cheio de bares como o desta imagem para beber uma cocacola ou uma cerveja e comer um naco de carne e umas batatas fritas.

Ainda próximo das Mangueiras, muita gente dedica-se a vender carvão. Muitos deles pertencem à tribo dos Mukubais.

A mítica Serra da Leba

Mercado do Shioko

Capela da Nossa Senhora do Monte, Lubango

Igreja a caminho da falha da Tundavala, Lubango

Falha da Tundavala, Lubango

Montipa

A Montipa está a Sul do Lubango, no meio do mato, junto à Bibala. Aqui passei 2 dias. Antes de ir, vi umas iamgens do local e a verdade é que o menosprezei um pouco. Mas aceitei o convite de senhor Victor e família para ir e a surpresa foi óptima! Ainda do tempo colonial há uma piscine que foi feita para aproveitar as águas termais. Havía também um camping e uma especié de pousada. Agora mesmo, o camping já não existe e a pousada tem estado votada ao abandono todos estes anos e agora parece que se está começando a recuperar. A piscina sim, continua aí e uns rapazes que vivem por aí, fazem a limpeza a troco do valor simbólico que os visitantes vão deixando. Tomei banho de noite, de manhã, de tarde! Que sensação única de Spa natural! E o entorno é maravilhoso. Saí a dar uma volta ao amanhecer e ao entardecer para fotos. Toda a area está envolta de montanhas distantes e rios que agora estão secos e são como uma praia de areia branca e sem mar. Quando chove, de forma sempre bastante violenta, os rios enchem-se e alguns pequenos aglomerados populacionais ficam isolados. A paisagem muda completamente.

Dunas Tombwa

As dunas do Tombwa estão a aproximadamente 100 km do Namibe, relativamente próximo. Mas chegar até aí pode complicar-se se não levamos um carro devidamente preparado para a areia… Foi o que nos aconteceu a mim, ao meu pai e irmãos na nossa incurssão ao local. Depois de uns 60 km de areia, junto à praia, ao subir a primeira duna, o carro não respondeu bem e aí ficou com uma avaria. Tivémos que caminhar até encontrar alguém que nos ajudasse. Pouca sorte. Mas enfim. Não estávamos perdidos… só havería que caminhar pela praia, a temperatura era a ideal para un passeio, e eram apenas as 9 da manhã quando nos pusémos em marcha. Fizémos 4,30h de caminhada, até que por grande sorte, encontrámos um grupo de rapazes pescadores a acampar todo o fim de semana. Emprestaram-nos o telefone satélite para ligar a alguém que nos fosse buscar. Enquando não vinha o amigo do meu pai buscar-nos, terminámos o dia a beber cervejas e a ver o pôr do sol com eles.

Continuava com a ideia fixa de visitar as famosas dunas do Tombwa e um tempo depois, meus amigos Glória, Alfredo e irmãos convidaram-me para ir. Uma vez mais, um pequeno problema técnico. Um furo. Algo habitual no carro do Alfredo. Trocou a roda e seguimos viagem.

O resultado são as fotos que se podem apreciar abaixo. Tombwa, esse sítio tão miserável e doente, está cheio de surpreendentes paraísos à sua volta.

Namibe, a minha base

Vivi durante 2 meses no Namibe. Ao principio, a verdade é que me isolei um pouco pelo facto de ter carro. Depois do episódio das dunas do Tombwa, que o meu padre ficou sem o seu carro durante muito tempo, eu consequentemente, fiquei sem o meu. Todos os meus movimentos a partir de então fi-los a pé ou de taxi, como qualquer outro angolano. Creio que era a única branca na cidade que andava de taxi. Ganhei uma nova percepção da cidade.

O elemento mais marcante na paisagem do Namibe é o puerto. É o terceiro, seguido de Luanda e Lobito, mais importante de Angola. A baía diesenha uma meia lua e é a partir dela que se extende toda a cidade para o interior. Ainda que se trate de uma cidade relativamente pequena, dentro dela é como se existissem duas. A do tempo colonial, com a arquitectura tipicamente portuguesa no centro, e o Namibe 100% angolano, com as casas de adobe e tectos de lata e pedras para que não voe com o vento.

O lixo é um assunto muito sério em todo o país e o Namibe não é uma excepção. Caminhando 15 minutos desde o centro para a periferia, encontra-se uma lixeira a céu aberto que me chocou. É o lixo de um só bairro aí. Não existe saneamento básico, não existem casas de banho em casa e tudo se faz ao lado de casa. A montanha está a crescer…

3 responses

18 03 2010
Carlos

Adorei, viajar pelo Blog.
Continue que estarei com maior assíduidade.
Tudo de bom por terras angolanas!
CR

25 07 2010
José Maria

Excelênte, gostei muito da sua viagem e gostaria de fazer a mesma. cumprimentos

5 08 2010
Walter Gonçalves

fogo… mais que ferias caraca … olha gente, eu ainda babado com a beleza do meu Pais … não sabia que existia zonas como no filme Avatar e muitos outros do cinema de holliwood (risos) um dia que fazer parte desta grande aventura tambem.

amei as foças fotos, aventura bem feita e com muito perigo, as fotos originais que mostram grande parte das verdades em beleza de Angola… amei estou pasmo ate agora … gostaria de ter um convite tb assim … e levar a minha maquina profissional para relatar umas boas imagens …

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